Nas últimas semanas, recebi o meu SOLDR, um kit portátil com uma série de ferramentas para solda eletrônica. Me apaixonei por ele. É impressionante como uma caixinha tão pequena conseguiu substituir um monte de tralha que ficava guardada nos meus armários.

Como a pessoa preguiçosa que sou, soldar um circuito – principalmente quando era algo pequeno – sempre tinha uma barreira inicial imensa: tirar as coisas do armário, encontrar um espacinho livre, espalhar tudo na mesa e, por fim, soldar o que era preciso no meio de um universo de troços. O SOLDR resolveu consideravelmente esse processo.

A única coisa que senti falta foi um módulo com lupa para enxergar melhor os componentes pequenos. O meu kit veio com o que eles chamaram de "microscópio de smartphone", mas não funcionou muito bem para a minha necessidade. Como eu costumava usar uma lupa simples para resolver isso, estava sentindo falta dela.

Resolvi, então, fabricar meu próprio módulo para preencher essa lacuna. Comprei uma lupa pequena de aproximadamente 45 mm e um gooseneck de 15 cm com rosca M8 de um lado e M10 do outro. Isso, somado a algumas partes impressas em 3D e ímãs, deve ser o suficiente.

A base da lupa ocupa dois slots na grade; foi o necessário para garantir uma boa estabilidade para o módulo. Isso também permitiu adicionar mais ímãs para que a adesão na grade (e na mesa, durante o uso) fosse melhor. O gooseneck se conecta na base e no encaixe da lupa diretamente pelas roscas M10 (na base) e M8 (no adaptador). Usei filamento preto e um "amarelo fluorescente" da SUNLU para seguir a paleta de cores original do kit.

Você pode acessar os modelos 3D para baixar os arquivos abaixo.

Uma rápida reflexão sobre as múltiplas iterações de um processo de desenvolvimento

Um projeto de uma tarde como esse pode parecer simples, mas vale ressaltar a quantidade de iterações necessárias para garantir que as tolerâncias em todos os encaixes ficassem adequadas. Geralmente, quando assistimos a vídeos no YouTube ou lemos blogs de DIY, as pessoas pulam essa parte por não ser um tópico "interessante" visualmente.

O resultado é que quase ninguém fala sobre as três ou quatro (ou mais) versões que foram para o lixo porque o ímã ficou frouxo ou a rosca não girou. Isso acaba passando a sensação de que o projeto foi muito mais fácil do que realmente foi, ou que quem desenhou tem uma habilidade sobre-humana de acertar tudo de primeira. Na real, a boa engenharia (mesmo a de garagem) é feita de erros, ajustes e muitos testes de tolerância antes do modelo final ficar pronto.